Alzira posteriormente teria ainda 3 mandatos como vereadora na cidade de Lajes.
No dia 24 de fevereiro de 1932 foi instituído o Dia
Nacional da Conquista do Voto Feminino porque somente nessa data, em 1932, as
mulheres tiveram o direito ao voto assegurado em lei com o decreto 21.076 do
então presidente Getúlio Vargas.

Jornal O Globo - 13-06-1962
Jardim de Angicos deve muito à prefeita D. Alzira
Um pouco de reminiscências da primeira mulher a chefiar a prefeitura de uma cidade brasileira
Jardim de Angicos, naqueles tempos, era a cidade mais "politica" da região; desde que fora proclamada a República, ali nasciam movimentos que se estendiam por todo o Estado do Rio Grande do Norte. Foi em Angicos que nasceu D. Alzira Soriano e ela, desde pequenina tomava parte de reuniões políticas presididas pelo pai, ouvindo conversas difíceis sobre a República. Aos 17 anos ela se casa com o Juiz de Direito local, ficando viúva cinco anos após. Volta ao convívio da família prossegue ajudando o pai nas suas campanhas. E após trinta e dois anos vem a ser a primeira mulher Prefeita, não só do Brasil, mas de toda a América do Sul. Isto em 1929.
Pela Emancipação Feminina
Relembrando como começou o movimento de sua candidatura, D. Alzira Soriano recorda a visita da Dra. Berta Lutz ao seu município de Lajes, quando liderava a campanha feminista que concedeu à mulher brasileira o direito de votar e ser votada.
- Ela chegou em Lajes acompanhada do Dr Lamartine, governador do nosso Estado - conta D. Alzira. E por receber plena ajuda do governo é que fez do Rio Grande do Norte o primeiro Estado brasileiro a efetivar esses direitos da mulher.
E porque Berta Lutz viu grandes possibilidades de ter em D. Alzira Soriano o exemplo vivo de que a mulher também podia governar, sugeriu ao Governador Lamartine que a convidasse a candidatar-se a Prefeitura de Lajes.
Foi uma parada difícil
Já havia dois outros candidatos. Correndo a notícia de que D. Alzira, vinha apoiada pelo Partido Republicano e pelo próprio pai, líder político da região, aqueles se retiraram da campanha.
- Acabei ganhando as eleições por unanimidade - diz ela. Foi uma festa geral, porque ninguém havia perdido nem a eleição nem o voto.
Jornais do mundo inteiro noticiaram o fato, D. Alzira foi muito festejada, o Governo rio-grandense o o da República se fizeram presentes à sua posse e a campanha feminista era vitoriosa em todo o País. Confiados ao critério das suas decisões, os encargos da administração do Município de Lajes. Tinha D. Alzira Soriano trinta e dois anos naquela época.
Deu tudo certo
Ela começou por "colocar a casa em ordem", Faltava tudo por fazer. Constituiu secretários. e como não havia nem escrita na Prefeitura, pediu logo auxílio no Governo do Estado, que mandou escriturários para orientar a sua organização.
- Arrecadava-se um total de 60 contos de réis - conta D. Alzira. E como dava para gastar! Abri nova estradas, construí mercados distritais, muitas escolas, estendi a rede de iluminação elétrica.
Fez muito por Jardim de Angicos, a sua terra natal, que até ganhou um jardim de verdade. Mas "a alegria durou pouco veio a Revolução de 30 ela perdeu a mandato. Voltou à vida caseira mas não perdeu a "mania da política"
Desde que voltaram a acontecer eleições no País D. Alzira é eleita vereadora, pela UDN. "E a luta é sempre a mesma - comenta. Por novas estradas, escolas, mais luz elétrica, assistência médica que o povo reclama".
Se gostaria de ser prefeita novamente? "Claro que sim, pela vontade do povo". Mas D. Alzira sente-se "velha e cansada" agora. Nós a sentimos uma mulher extraordinária, que passou vitoriosa pelos preconceitos da sua época, com uma inteligência que até hoje se mantém viva e privilegiada.
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